terça-feira, 28 de agosto de 2007

PEDAGOGIA ESPIRITA

O que a Pedagogia Espírita tem de diferente das outras? O que ela propõe para mudar a escola tradicional que os alunos não agüentam mais?

As crianças entram na escola com o olhar brilhante, cheias de curiosidade, querendo saber todos os por quês. Os adolescentes saem da escola com o olhar apagado, sem vontade de nada, enjoados de tudo.

A escola consegue matar a vontade de aprender e o interesse pelo conhecimento por um simples motivo: ela é chata.

Os alunos são obrigados a fazer tudo do mesmo jeito, na mesma hora, com o mesmo resultado. Não são ouvidos, não participam. Já recebem tudo pronto, mastigado. Só o que tem a fazer é estudar para devolver tudo na prova e passar de ano. É um processo mecânico, sem vida, sem estímulo.

Há mais de 300 anos, muitos e muitos educadores criticam esse sistema. Entre eles, Comenius, Rousseau, Pestalozzi, Montessori, Freinet. Queriam uma escola mais livre, mais interessante, mais ativa, mas bonita, na qual o aluno pudesse desenvolver potencialidades e não apenas aprender um conteúdo. O que significa isso? Mais importante do que decorar fórmulas para a prova é a pessoa ter, por exemplo, o espírito científico, que é o da observação e da pesquisa. Mais importante do que decorar regras gramaticais é saber pensar, escrever, concatenar idéias.

Não é só no campo do conhecimento que os grandes educadores propuseram mudanças. Essa escola que temos forma a pessoa para ser competitiva, lutar com o seu próximo, para ser melhor do que ele. Cada um deve fazer a sua prova sozinho, sem ajudar o vizinho e todos competem pela melhor nota. O que se estimula com isso? O egoísmo, a lei do mais forte. A idéia de uma escola onde haja cooperação e ajuda mútua ao invés de competição está presente em todos esses educadores.

O que a Pedagogia

Espírita tem de diferente?

Ela está dentro da corrente que vem desses grandes educadores, mas ela acrescenta alguns aspetos. A Pedagogia Espírita vê as pessoas como seres reencarnados e por isso o aluno tem ainda mais direito ao respeito; tem que ser observado em sua individualidade e não tratado como um número. Ele já traz idéias e conhecimentos, virtudes e defeitos de outras vidas, e a educação deve trabalhar com isso.

Além disso, a Pedagogia Espírita quer desenvolver a pessoa em todos os aspectos, inclusive o espiritual. Isso não significa obrigá-la a ser espírita. Longe disso. O melhor é que ela conheça todas as religiões e se ela decidir tornar-se espírita, poderá argumentar muito melhor o porquê ela prefere o Espiritismo a outras doutrinas.

Para saber mais

A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir, de Rubem Alves. Papirus Editora;

Pestalozzi, Educação e Ética, de Dora Incontri. Editora Scipione;

Eurípedes, o Homem e a Missão, de Corina Novelino. IDE Editora.

É possível uma escola diferente?

Está demonstrado que é possível fazer uma escola diferente e dá muito certo. Os alunos adoram, aprendem mais e o resultado é muito melhor do que esta escola que está aí, chamada de escola tradicional.

Quer ver alguns exemplos? Um dos mais antigos é o Instituto de Yverdon, na Suíça, do começo do século 19 (durou até 1825). Pestalozzi fez essa escola no Castelo de Yverdon, onde os portões ficavam abertos com liberdade de entrar e sair. Os alunos faziam diversas atividades: cultivavam horta, tinham aulas-passeio, aprendiam música, teatro, ciências, desenho. Tudo de forma alegre, participativa, sem provas, sem notas, sem castigos ou recompensas. Pestalozzi amava os alunos e era muito amado por eles.

No Brasil houve o Colégio Allan Kardec, a primeira escola que aplicou a Pedagogia Espírita no mundo, fundado por Eurípedes Barnanulfo, em Minas Gerais, em 1907. Essa escola também era muito diferente. Os alunos participavam de tudo. Tinham aulas ao ar livre, observavam as estrelas em pesquisas de astronomia, faziam teatro e debates públicos - que as pessoas de toda a região vinham assistir. Eurípedes era um grande médium e deixava seus alunos - fora do horário da escola - participarem de suas atividades mediúnicas.

Atualmente, a Escola da Ponte, em Portugal - que não tem nada a ver com a Pedagogia Espírita - trabalha de forma bem inovadora. Os alunos fazem projetos a partir das idéias e temas que queiram pesquisar e vão construindo seu conhecimento. É uma das melhores escolas de Portugal.

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